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Moçambique transforma dependência de importação de arroz e trigo em oportunidade para investimento indiano
Moçambique transforma dependência de importação de arroz e trigo em oportunidade para investimento indiano

Moçambique transforma dependência de importação de arroz e trigo em oportunidade para investimento indiano

O país compra anualmente cerca de 1,3 milhões de toneladas entre arroz (600 mil) e trigo (700 mil), números apresentados pelo Director-Geral Luís José Jobe Fazenda no Afro World Agri Food International, em Nairobi, no início de Agosto. Para o ICM, esse volume de compras a fornecedores europeus, americanos e asiáticos comprova a existência de um mercado interno que investidores poderiam ocupar com produção local — incluindo unidades de descasque, moagem e embalagem, e não apenas cultivo.

A escolha da Índia assenta numa relação já forte: cerca de 3,42 mil milhões de dólares em trocas comerciais em 2024/25, e mais de cem empresas indianas presentes no país, cada vez mais activas na agricultura, sobretudo em Nampula e no corredor de Nacala.

O feijão-bóer é o caso mais avançado dessa parceria: Moçambique exportou mais de 230 mil toneladas em 2023, das quais 90% para a Índia, mercado que se tornou ainda mais aberto depois de Nova Deli ter prolongado até Março de 2027 a importação livre do produto, sem limite de quantidade nem taxa alfandegária — acima da quota mínima de 200 mil toneladas do memorando bilateral. Para organizar esse crescimento, o ICM e o sector privado criaram, em Agosto, em Nampula, o Comité do Feijão-Bóer, uma plataforma permanente para tratar de certificação, câmbio, combate ao contrabando e definição de preços mínimos.

A ideia central do ICM é que a própria dimensão das importações pode servir como prova de mercado para atrair investimento. Mas concretizar essa oportunidade exige produtividade, irrigação, financiamento, armazenagem, capacidade industrial e logística — áreas onde a FAO aponta fragilidades, sobretudo pela baixa cobertura de irrigação e pela exposição da agricultura moçambicana às alterações climáticas e à volatilidade dos preços globais dos alimentos.

Em suma, a questão deixa de ser apenas quanto Moçambique importa, passando a ser quanto dessa procura pode converter-se em produção, emprego e investimento dentro do país.

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